Sábado, 30 de Julho de 2011


QUEDA

Outra vez o argumento do progresso,
uma excelente demonstração de artilharia.
Os aviões desaparecem do radar, logo após
aquela linha de destroços. Estamos prestes
a aterrar, é melhor pormos o cinto.
Vai cair um café dos anos vinte.

Evocando os suspeitos do costume, há quem traga
um megafone, como quem traz uma faca
para um tiroteio: «They want to destroy this ex-libris.
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Mas isto não vai lá, sequer com a assinatura
dos turistas. O Excelsior fecha portas amanhã.

Lá dentro, sucumbindo ao estardalhaço,
uma dúzia de rapazes na casa dos sessenta
concede uma espécie de retrato post-mortem.
São os últimos dias ao serviço do império.
Feridos abandonados no campo de batalha
despedem-se do chão onde aprenderam a fumar.

Vítor Nogueira
(n. 1966)
Comércio Tradicional
(Averno, 2008)