VENEZA
– Saiamos desta zona reles, infestada de cafés artificiais – disse ele. – São armadilhas para depenar incautos e verdadeiras fraudes arquitectónicas. Quando eu era criança, pouco depois de terminada a guerra, estes cafés estavam mais ou menos como estão agora. Nessa altura, visto que a clientela escasseava, foram transformados em cafetarias modernas, ao estilo americano: self service e rock and roll, o senhor bem me entende. Depois começou a chegar esta cambada de papalvos em busca de antigualhas e foi preciso reconstruir a toda a pressa o que havia dantes. Naturalmente, os materiais de origem tinham-se perdido sem apelo nem agravo: uns mais, outros menos, todos tínhamos utilizado a madeira dos artesoados para aquecer as casas; de maneira que foi preciso improvisar, como sempre. Aos pontapés envelhecemos quatro tábuas, esborcelámos uns mármores e o resultado está à vista. Não acredite em nada do que vê nem dê ouvidos a nada do que lhe contarem. Olhe, vamos entrar aqui: é um sítio bom, um autêntico bar veneziano.
Eduardo Mendoza
(Espanha, 1943)
A Ilha Inaudita
(Tradução de J. Teixeira de Aguilar, Dom Quixote, 1990)
Já só o Pacheco Pereira nos poderá valer
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Acerca da publicação no Correio da Manhã de supostas escutas a Sócrates,
Estrela Serrano e Fernanda Câncio apontaram para o que há de mais urgente a
esclar...
Há 3 horas